Serra da Bocaina de 30/05 a 02/06/2003

Relatos e Fotos

 

Primeira parte ROS:
A idéia já havia surgido a algum tempo mas ainda não havia sido concretizada porém desta vez parecia que seria feito o passeio, estavam marcados cerca de 15 bikers mas no fim restaram apenas 3, eu (ROS), o Giba e o Roberto (que não é integrante da lista). Saí de casa na sexta por volta das 13:00hs, às 14:15 estava na casa do Giba, terminamos de arrumar as malas e saímos rumo à Rodoviária do Tietê onde encontramos o Roberto. Embarcamos 16:45 e por volta de 22:00 estávamos em São José do Barreiro. Fomos para o camping a cerca de 4 kms do centro da cidade por uma estrada de terra sem nenhum tipo de iluminação além das lanternas das bikes. Com alguma dificuldade chegamos ao camping onde rapidamente erguemos a barraca e pernoitamos. Às 6:00 estávamos de pé, arrumamos a bagagem e fomos tomar café da manhã cercados por saguis que ficavam se exibindo com saltos belíssimos e shows de equilíbrio num fio de varal! Claro que para isso tínhamos que pagar: bolachas! Terminado o café partímos para a subida da serra, 27Kms de subidas intermináveis!! Algumas tívemos que empurrar a bike devido às muitas pedras soltas no piso, o sol nessa hora já começa a judiar um pouco. Numa das paradas para beber água das milhares de bicas que correm por entre as montanhas uma borboleta insistia em me acompanhar pousada em minha luva! Logo estávamos na entrada do Parque onde fomos recepcionados por um segurança muito prestativo que nos orientou sobre todos os aspectos do caminho, inclusive a possibilidade de cruzarmos com onças, jaguatiricas e cobras!!!. Pouco tempo depois já nos encontrávamos em meio a uma mata maravilhosa regada por uma belísssima cachoeira, a do Santo Ízidro, paisagens deslumbrantes do relevo maravilhoso da Serra da Bocaína, depois de atravessar várias piscinas naturais chegamos à Cachoeira das Posses, igualmente maravilhosa, o Roberto e eu decidímos que não poderíamos passar pelas cachoeiras sem tomar um banho e lá estávamos nós dentro da água a 5ºC, estupidamente gelada!!! Continuamos o caminho sempre circundados por uma paisagem maravilhosa, a intenção era seguir até a Cachoeira dos Veados mas como o dia já começava a escurecer acabamos ficando um pouco antes num camping perdido no meio da mata. Como não há energia elétrica no local por volta das 19:00hs já estávamos prontos para dormir. Dia seguinte 6:00hs já estávamos a postos para continuar o caminho, tomamos café e a caseira nos disse que não conseguiríamos sair do parque naquele mesmo dia devido às dificuldades do caminho, mas estávamos decidos e acreditávamos que conseguiríamos. Estávamos então iniciando o terceiro dia da pedalada. Acabamos passando batido por alguma entrada e acabamos nos perdendo, o que levou ao menos uma hora do nosso dia, fomos orientados por pessoas que moram na região e voltamos ao caminho correto, pouco tempo depois estávamos em direção à Cachoeira dos Veados quando fomos informados que era melhor seguirmos por outro caminho, fizemos isso e depois o Cebola, um guia da região, disse que era melhor ter continuado pelo caminho que tínhamos ído pois a vista da cachoeira seria melhor, mas como estava já ficando tarde seguimos pelo caminho do qual se avistava apenas o início da cachoeira que é considerada a 3ª mais bonita do Brasil!! Fomos orientados pelo mesmo Cebola que a partir daquele ponto o caminho sería muito crítico, que teríamos que carregar a bike na maioria do trecho e assim foi. Nesse ponto o Giba começa a reclamar que estávamos seguindo pelo caminho errado e que aquilo não daría em lugar algum, ele queria voltar mas eu o Roberto estávamos decididos a continuar, pois se havia uma trilha, mesmo que esta estívesse sem condições alguma de tráfego, em algum lugar ela daria, continuamos e conforme o tempo passava mais o Giba reclamava, chegando ao ponto de querer pedir resgate tamanha a dificuldade do caminho. Eu e o Roberto queríamos continuar independente das dificuldades ou mesmo da luminosidade que começava a cair. Em certo ponto o Giba resolveu parar e acampar, insistímos para que ele continuasse conosco que uma hora sairíamos dali, mas ele não quis continuar. Seguimos os 2 então por entre a mata praticamente fechada numa escuridão total guiando-nos apenas por algumas pedras perdidas no piso que formavam a trilha, depois de horas sem nenhum tipo de contato encontramos uma pousada, iluminados apenas pela lanterna o caseiro nos informou que estávamos no caminho certo e que a mata continuaria fechada por mais uns 30 minutos e que depois melhoraria, restando então mais umas 3 horas de caminhada. Disse que havia lugar alí para repousarmos mas decidimos continuar mesmo sem enxergar praticamente nada. Realmente chegamos numa estrada melhor e mais aberta, o céu tinha milhares de estrelas, coisa que nunca tinha visto igual!! Andamos por mais cerca de 1:30hs e resolvemos pedalar apesar de não estarmos enxergando nem o chão direito. Chegamos finalmente em Pereque, no Rio de Janeiro, felizes da vida!! Havíamos atingido nosso objetivo!! Como na cidade não há ônibus que seguem para São Paulo fomos para a Rio-Santos esperar um ônibus que nos levasse para Paraty, após mais de uma hora esperando eis que chega o ônibus e para a nossa felicidade ele não atende ao sinal e passa batido!! Passava-se já das 22:30 do domingo e como haviam nos informado o último ônibus sairia de Paraty rumo a São Paulo 23:35, são 45 Km de estrada, imaginamos então que o não conseguiríamos mais pegar o ônibus e resolvemos ir para Paraty pedalando, quando estávamos montando nas bikes vem passando uma pick-up na estrada, demos sinal e pararam!! Nos disseram que estavam indo para uma cidade 13kms antes de Paraty e nos deram carona, ao chegar na cidade que parariam vimos que já era 23:15 e que em 20 minutos não conseguiríamos completar os 13Kms pedalando, perguntamos quanto ele cobraria para levar-nos até a Rodoviária, ele não respondeu mas levou-nos. Chegamos em Paraty 23:30 e o ônibus já estava saindo, enquanto eu corri para o guichê para comprar as passagens o Roberto foi surpreendido com o motorista que disse que havia nos feito um favor e que não cobraria pelo mesmo! Já no guichê a notícia não foi tão boa: não havia mais lugar para São Paulo e o próximo ônibus só sairia às 9:40 da segunda-feira, resolvemos então pegar o ônibus que saiu 02:40 para Caragua e de lá pegamos outro para a Rodoviária do Tietê, chegamos em São Paulo por volta de 08:30 onde me despedi do Roberto que continuou até a casa dele pedalando, eu peguei ainda outro ônibus até em casa e cheguei 10:15 da segunda. Acabou assim o meu passeio e o do Roberto. O Giba nos conta depois como terminou seu passeio, liguei para a casa dele hoje (segunda) por volta de 19:00 e me informaram que ele ainda não havia chegado mas que estava bem e que o atraso maior foi em consequência do ônibus que teve problemas mecânicos. O passeio foi maravilhoso apesar da separação e aconselho que conheçam a região que tem uma natureza belíssima, mas que reservem 3 dias para o percurso para poderem desfrutar melhor. Abraço a todos!! 

ROS 

Rodrigo Oliveira de Sousa 

ros_bike@uol.com.br

 

Segunda Parte Giba:

Olá pessoal!
Antes de mais nada, estou vivo!!O ROS já disse praticamente tudo, não vou repetir o que já foi dito, só polindo algumas coisas. Antes de mais nada, gostaria de agradecer ao companheirismo tanto dele quanto do ROberto que foram muito camaradas em me ajudar nos trechos críticos já que nãoconseguia levantar a bike com tanto peso ainda mais que torci o tornozelo esquerdo no domingo e embora foi suportável a dor ia aumentando. Não havia como passar por tanta irregularidade, buracos, erosões, mata fechada, riachos e na maior parte do local sem espaço com os alforges atrapalhando do jeito que estavam. Para piorar e muito as coisas, neste arrasta e bate nos morros, pedras, o encaixe do alforge do lado esquerdo quebrou tornando a coisa muito complicada para mim mesmo e volta e meia ralava a perna nos pedais, coroas e nos próprios acidentes geográficos. Eu estava me tornando um estorvo para eles e eles ainda assim não me deixaram na mão com toda a dificuldade que cada um já tinha. Ao anoitecer, estava primeiramente disposto no domingo a não dar continuidade e tinha até implorado antes que não continuassem para o bem de todos, decidi depois mudar de idéia, mas a medida que o tempo passava a minha força (se é que tinha alguma) ia se esgotando. Decidi quando estava prestes a anoitecer neste domingo a não dar continuidade, não aguentaria continuar ainda mas não sabendo exatamente quanto tinha pela frente, fora o risco que julgava ser alto continuar nas condições que encontrava naquele lugar fechado. O ROS e o Roberto então me ajudaram a montar rapidamentea barraca, me deixaram uma bomba e um pouco de comida e eu emprestei um dos rádios comunicadores para eles tentarem algo pelo caminho. Nós nos despedimos e pedi para que avissasem em casa que ficaria mais um dia pelo menos lá e se as coisas ficassem dificeis que chamassem por resgate assim que possível pois não havia jeito, nem pessoas para solicitar naquele momento, afinal, celular não funcionava, não tinha telefone por lá, luz, etc. Obrigado gente, fico feliz que tenha dado tudo certo com vcs e felizmente para mim acabou sendo bom também. Agora a minha parte solitária: Imediatamente coloquei as coisas de qualquer jeito dentro da barraca incluindo a bike, nada ficou de fora nem mesmo no avanço. Após 2 noites mal dormidas, esta terceira era um prenúncio que ia e podai se pior. Ouvia barulho de algo circundando rastejando a barraca e imediações bem próximas e com um barulho esquisito. Não sei ainda se eram cobras, mas parecia e não era uma apenas pelo jeito. O Guarda na entrando do parque tinha alertado para limpar, fazer uma varredura adequada antes de acampar porque havia esse risco e onde estava este era o lugar menos fechado possível para me abrigar. COmo não montei a barraca por completo, usei uma das hastes de alumínio de bastão para qualquer eventualidade. Arrastei meus pertences para todas as extremidades e abri a tela de mosqueteiro com a ajuda do farol e lanterna para ver se via algo e dava cutucadas pelas dimensões da barraca para ver se conseguia distinguir a forma de alguma cobra ou qualquer coisa que estivesse por ali. Foi assim a noite inteira, quando os ruídos sumiam, eu tentava descansar mas sem ficar desligado porque podia ser a minha sobrevivência em jogo. Ao amanhecer, procurei abrir aos poucos a barraca e protegido já com capacete e saco de dormir para aumentar a espessura de "proteção" no corpo sai correndo quando notei que seria possível e nada de cobras ou demais bichos. Ufa, isso passou pelo menos. Arrumei as coisas o mais rápido que pudi e dei prosseguimento a minha saga solitária a partir daí. Depois duma meia hora, uma hora talvez encontrei uma casa logo atravessando a ponte, era o Seu Manuel, um homem simples mas que nunca vou esquecer o que fez por mim. Contei a minha história e ele me disse que os rapazes estiveram lá por volta das 19hs d eontem e ele tinha indicado um caminho mais fácil para sair da Trilha do Inferno, ou seja, do Ouro. Fiquei contente de saber que eles tinham se safado e bem depois que peguei esta estrada de terra batida na qual pude pedalar realmente, ela tinha uns 13km e daria no munícipio de Perequê. O Seu Manuel prontamente se ofereceu para me ajudar a levar a bike até o início desta estrada numa ponte que daria para a continuação da trilha do ouro. Ao chegar lá, eu chorei um pouco de felicidade e dei 2 abraços nele e um troco para ajudar nas despesas dele com a família (ele nem me solicitou fez lógico por questões humanitárias, nestas horas a gente vê que há coisas belas na vida). Aí eu prossegui chegando em pereque as 10hs da manhã, fui comer numa lanchonete pois estava racionando severadamente a comida pois não tinha idéia como o ROS disse se estavamos certos ou não então pelo risco, achei que o caminho era esse. Daria para um dia a mais no máximo. Na Lanchonete esperei o ônibus sair às 10h40 pois não tinha pique de encarar os 40 km da Rio Santos até Paraty. Cheguei lá por volta das 11h40 e aguardei com mais uns salgados e sucos a saída do meu ônibus às 13h40. Embarquei e quando eram 16hs paramos entre Ubatuba e Caraguá com o ônibus quebrado. Só consegui embarcar de volta num ônibus às 19h40 chegando no Tietê às 22h50. Meu irmão me pegou lá e cheguei em casa feliz da vida às 23h30. Bom, é isso, ao chegar em Pereque telefonei para casa e graças a Deus minha mãe soube no domingo às 22h30 que estava bem e só voltaria hj (obrigado ROS e Roberto por terem avisado) e já avisei ao meu chefe também o que tinha acontecido mesmo com a minha mãe já telefonando para lá. É isso! Depois eu envio as 55 fotos que tirei para o Sérgio que deverá colocar no sítio. O local é bonito realmente, mas não foi feito para andar d ebike ainda mais carregados de bagagens, alforges nem pensar. Mais atrapalham do que ajudam e de certa forma a bike também. Acrescentando uns dados. NO primeiro dia, tudo correu bem mesmo não chegando no ponto que planejamos: foram 50 km de pedal, e eu ainda achei que eram poucos, mal sabia o que vinha pela frente... E os emuprram bike foram aqueles saudáveis numas pirambeiras mas sem transtornos No domingo foram uns 20 km e olhe lá e mais de 80% de empurram bike, levantam bike e por aí vai, praticamente não houve pedal e aí que se torna impraticavel a trilha. O calçamento de pedra é uma calçada do Lorena milhões de vezes pioradas. Embora não tenha tanto limo quanto a outra, esta calaçda é muito irregular, nela tem buracos, erosões, estreitamentos que mal passam a bike propriamente dita, sem os alforges. A Lorena dentro das suas irregularidades é regular e esta não. Se quiserem ir, recomendo seriamente para trekking ou no máximo sem levar nada na bike, pois complica e muito com qualquer peso adicional. Gostaria de ser útil e servir de guia agora conhecendo, mas não penso mesmo em voltar com bike para lá, a pé posso terminar com maior aproveitamento. Ros, depois vou ligar para cada um de vcs para copnversarmos, blz? Desculpa a extensão do relato, gente. Obrigado pela atenção. Giba
PS: no fim das contas, a tomada de decisão deles de prosseguir foi correta e eu atrapalharia o objeitvo deles de chegar a tempo em SP, se bem que seria ótimo para mim, para ao menos trabalhar meio período. E a minha decisão foi correta em virtude do estado que me encontrava. Foi acertado por ambas as partes.

 

Bike Aventureiros : Gilberto Moraes, Rodrigo Oliveira de Sousa, Roberto

 

Relato: Rodrigo Oliveira de Sousa / Gilberto Moraes
Fotos: Rodrigo Oliveira de Sousa / Gilberto Moraes